
Biodiesel: antecipação de metas
segunda, 30 novembro 2009 . Jornal do Brasil
Entre as primeiras tentativas de produção de biodiesel no Brasil e a antecipação em três anos da meta de adoção da mistura de 5% no diesel (o chamado B5), passaram-se mais de 30 anos. A adoção do B5 a partir de janeiro de 2010 deve elevar a produção da indústria, ultrapassando os 2 bilhões de litros de biodiesel. Mas se o abastecimento parece ser um assunto superado, a preocupação do governo Lula, que lançou em 2003 o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, está na diversificação da matéria-prima. Hoje, quase 90% do biodiesel brasileiro é proveniente da soja.
- A antecipação dessa meta de 2013 serviu para garantir a maior movimentação da indústria. Agora, os produtores nos levaram a proposta do B20 (20% de biodiesel) metropolitano, vamos analisar, mas a prioridade é promover uma diversificação de matérias-primas, e, assim, diminuir a dependência da soja, que é e sempre foi muito importante – afirma o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles.
Com mais de 10 anos no mercado de etanol e biodiesel, o consultor de mercado Paulo Siqueira Costa, ex-gerente de comércio externo da Copersucar, concorda com o diretor do MME e lembra que a velocidade da adoção do B5 mostrou uma indústria "amadurecida".
- Tivemos duas grandes mudanças no programa que provocaram essa alteração. A agricultura familiar deixou de ser prioridade. Os produtores passaram a aceitar também a soja. Mas acho que não se deve diminuir o ritmo das outras matérias-primas. O pinhão manso é uma opção louvável. Enquanto temos a soja, que é espetacular, temos que ter pesquisas para desenvolver outras matérias-primas. Tem tempo para isso.
Redução
Às vésperas da Conferência Mundial do Clima (dezembro, em Copenhague) a adoção do B5 coloca o país na rota do compromisso estabelecido pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que anunciou a intenção de reduzir em 40% a emissão de carbono na atmosfera até 2020 (que provoca o efeito estufa). Com produção prevista para o ano que vem de 2,2 bilhões de litros de biodiesel, o país já passa a ser o segundo maior produtor do mundo – a Alemanha lidera, mas ainda precisa resolver outras questões para crescer ainda mais no mercado, trazendo benefícios para o meio ambiente.
- Temos que traduzir para preço os benefícios sócio-ambientais. No etanol, há uma tributação menor, uma vantagem. No biodiesel, ainda é pequeno o incentivo. O consumidor não vai raciocinar com a consciência ambiental se pesar no bolso dele. A tributação menor está na agricultura familiar do Norte e Nordeste – diz Dornelles.
Os agricultores familiares dessas regiões têm redução de até 70% para o cultivo da soja, enquanto os tributos federais para os produtores do resto do país diminui apenas 30%. Segundo o diretor do MME, a atividade de biodiesel tem cerca de 100 mil contratos de agricultura familiar.
- Há críticas de que essa atividade não está resolvendo, mas a dificuldade da implantação ainda é grande. Não é fácil montar um arranjo para plantação no semi-árido. A velocidade pode até não ser na que todos desejamos, mas está melhorando.
Paulo Costa pensa, no entanto, que o crescimento da produção de biodiesel aconteceu por uma mudança de filosofia dessa atividade. Para ele, o preço da venda do biodiesel é atraente para a produção, mas alerta para as mudanças "cíclicas" de toda colheita.
- Não é questão de abandono da agricultura familiar, mas da aceitação da grande agricultura. Hoje, é vantajoso negociar o excedente com a indústria, mas o câmbio pode mudar e a soja pode ser melhor para exportação. O setor agrícola depende de outros fatores, como o clima. A indústria do biodiesel ainda está na infância e pode passar por altos e baixos até se tornar uma indústria consolidada.








0 comentários:
Postar um comentário